22.8.09
Loucura
Que é o homem, que é a sociedade, que é a existência, que é a matéria? Nenhuma pergunta sobre nenhum objeto poderá ser suficientemente respondida sem que se conheça suas origens, suas causas, sua gênese. Muitas das causas dos problemas que afligem um e outros são bem conhecidas, estudadas, comprovadas etc. etc. Mas não se combatem as causas. Só os efeitos.
Certa vez um professor questionou: "afinal, quem é realmente louco: nós ou os loucos?" Não entendi então. Mas agora vejo bem: a loucura é um dado meramente proporcional. Se num dado país a maior parte das pessoas forem loucas, os normais é que serão os loucos. Disso resulta que, num mundo inteiramente globalizado pela insanidade, aqueles que veem percebendo a essência das coisas só podem ser loucos.
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Update 1: Donde se conclui que a sabedoria popular tem de fato alguma sabedoria: "Não estude muito, menino, que isso deixa louco." Ouvi isso do meu avô tempos atrás. E eu só estava lendo a Bíblia.
Update 2: Mia Couto usou no seu Um outro pé da sereia uma epígrafe que há três anos atrás não só não entendi como recusei com nojo. Hoje, entendo tão bem que sinto dentro de mim:
Quem acha doce a terra natal ainda é um tenro principiante;
aquele para quem toda terra é natal já é forte;
mas é perfeito aquele para quem o mundo inteiro é um lugar estrangeiro.
A alma tenra fixou seu amor num único ponto do mundo;
a pessoa forte estendeu seu amor a todos os lugares;
o homem perfeito extinguiu o seu.
(Hugo de Saint Victor, monge saxão do séc. XI)
21.8.09
Burrice ortográfica
Quem um dia ler Eça de Queiroz (A cidade e as serras), quando chegar em:
"Este conceito de Jacinto impressionara os nossos camaradas de cenáculo, que tendo surgido para a vida intelectual, de 1866 a 1875, entre a batalha de Sadowa e a batalha de Sedan, e ouvindo constantemente, desde então, aos técnicos e aos filósofos, que fora a espingarda de agulha que vencera em Sadowa e fora o mestre-escola quem vencera em Sedan, estavam largamente preparados a acreditar que a felicidade dos indivíduos, como a das nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da mecânica e da erudição."
ou vai chegar ao final, compreendendo bem a desconfiança no positivismo, ou, mais burro, como eu, vai se demorar muito, perdendo tempo e vida, empacando (como sói ocorrer aos animais híbridos) naquele pedaço vermelho, em que flagrantemente Eça errou a sintaxe, devendo-se escrever "a quem" em lugar de "quem". Na verdade, o problema todo está na leitura dos dois "fora" que aparecem: sei lá por que(1), li cinco vezes como 'fóra', quando o certo é ler como 'fôra'. Culpa de quem? Minha, que sou burro e não sei das batalhas do XIX. Mas também das reformas ortográficas, primeiro da que tirou o circunflexo desta forma verbal; em segundo, desta última de agora, que também não pôs de volta. E agora Eça já não tem mais culpa, restando os xingamentos para a secreta ligação que une revisores, editores, copidesques, donos de editora e ministros da educação em geral. Aliás, essa reforma foi só mesmo pra realimentar o mercado editorial. O melhor da minha burrice não foi ter chegado ao entendimento só na sexta leitura, mas principalmente perder tempo fazendo um post, que não vai mudar nada. Também, só de burrice, daqui pra frente vou escrever sempre "fôra" erradamente, com acento e tudo, pra me conformar comigo mesmo.
1 - Na verdade, sei, e a razão se deve à combinação de duas circunstâncias: o pretérito mais-que-perfeito simples em geral não é falado, e só raramente escrito; no caso do verbo "ser", é muito mais usado o homônimo advérbio "fóra".
15.8.09
Fora, Sarney!
Outro dia apareceu uma cidade do Sul aí que, por causa da gripe suína, mandou fechar tudo que era restaurante e boteco, só alguns casos especias puderam abrir. Mesmo os que abriram, reclamavam do fraco movimento: "As pessoas estão com medo de sair de casa, esse mês fecharemos no vermelho, prejuízo, prejuízo." Em nenhum momento alguém lamentou o desperdício de comida que isso representou (e que ocorre em todo restaurante até em situações normais), porque, quando a visão do tema é fragmentada, isso não tem muita importância, nem relação com a fome de outros lugares. Vou assistindo sempre que posso a tevê Senado, agora fazer alguma coisa, tô fora. Fazer o quê, se estamos todos cegos, sem saber o que fazer. E agora a culpa toda é do Sarney, ele é a maior afronta à democracia e à sociedade?
Engraçado ninguém ter dado bola pro caso da PROIBIÇÃO da "marcha da maconha", quer atentado maior à democracia? Proibiram uma marcha! Os maconheiros também são bem burros: é claro que o Estado não vai permitir tão fácil a legalização desse tipo de drogas. Cada lei que for extinta, é a negação de Foucault, uma razão a menos pra existir polícia e outras tantas mais pra não necessitarmos de OAB, Porto Seguro, Cadeados Papaiz e deus sabe que mais ramos industriais. De qualquer maneira, essa é a democracia. Ah, me poupe dessa farsa.
10.8.09
Sobre o PLC 122/2006
6.8.09
Mas logo me interrompi. Que pensará o planeta sobre melhor e pior? Que é, de fato, a paz, a tranquilidade e o silêncio das duas da madrugada depois que o último ser humano dorme? Que é vida? Nada, quando tudo dorme. Nada tem importância, senão para nós mesmos acordados. A medida do tempo, a transparência dos cristais, os nomes da fauna e da flora, as medidas do espaço, a demarcação das áreas, as fases da vida, a memória, o homem na lua, a eletricidade, as cores, a aerodinâmica das naves espaciais, a constituição carbônica dos alienígenas, a diplomacia, a bomba atômica, o poder, a verdade. Tudo, absolutamente tudo, das estrelas aos micróbios – é algo que jamais saberemos. Porque toda vez que olhamos estrelas e micróbios não estamos vendo nada além de nós mesmos. O mundo tal qual é deixará de ser nos primeiros movimentos do cosmos, da physis, do universo – sem os homens.
29.7.09
A mãe
26.7.09
Fome
22.7.09
24.6.09
1.6.09
Felicidade
Preciso trocar de emprego. Odeio adolescentes, definitivamente (ou pessoas, o que dá no mesmo). As contas estão sempre fechando o mês vermelhas – consumismo filhadaputa e inútil. Não ganho na megasena. Não declarei ainda o imposto de renda. Não leio mais meus livros queridos. Não tenho tempo nem saco de ler pras aulas de sociologia e política. Não tenho tempo de apagar emeiols. Não tenho tempo de pensar. E, pra completar, errei a declamação de um poema ontem, sábado, numa feira do livro: quis morrer. Que merda! Que poema filhadaputa do Drummond! Desaparecer assim da memória, com todo mundo olhando...
Também não jogo mais essa porcaria da megasena. E nunca mais declamo poemas. Idéia besta.
Agora só falta o problema das pessoas, das contas, dos impostos e das insuficientes 24 horas do dia. Ora, quem disser que é difícil viver ou ser feliz, simplesmente não nomeou direito seus problemas.
28.5.09
Lembrete sobre duas coisas:
2. É uma grande besteira depositar na escola a esperança de melhora do mundo. Enquanto ela não se dispuser a construir uma visão conjunta da realidade, a partir de alguma ciência antiga ou inédita que congregue e rearticule os conhecimentos básicos entre si – a fragmentação do saber em disciplinas inúteis, a separação das pessoas em individualismos nocivos e a divisão da humanidade em classes sociais perdurará indefinidadamente. Dos que possuem formação para atuar no ensino fundamental, só professores de história e geografia parecem dominar mecanismos de entendimento e explicação coerente do estado do mundo. Dos professores de história e geografia que existem, é ingênuo supor que todos tenham vontade ou condições de ativar todo seu aparato técnico na construção de situações reflexivas de aprendizagem de mundo; se excluírmos aqueles que possuem formação ruim, sobra uma parcela insignificante. Dos professores das outras disciplinas, majoritários, pode até haver vontade ou condições efetivas de explicar o mundo; mas, se lhes sobrar vontade (o que já é pra lá de duvidoso), faltar-lhes-á sempre formação específica e aparato técnico. O que em grande parte explica por que nunca vi um professor de matemática usar um triângulo para associá-lo à sociedade ou ao mundo. O que explica também por que grande parte da matemática e a totalidade de muitas outras ciências, como a gramática, a química ou a física, parecem aos alunos não ter aplicação prática alguma. O que mostra como o positivismo, que no XIX fragmentou o conhecimento, serviu aos interesses da elite, criando – mais que uma divisão do saber – divisórias de pensamento, tapumes da visão... antolhos. O positivismo, se Durkheim não se contentar com ser o criador do melhor dos chicotes, é talvez a mais engenhosa das criações humanas. Os seres humanos, quando no ócio, quando desatrelados do fardo que puxam, quando caminhando pelo mundo – já não olham mais para os lados.
Daí hoje se acreditar, principalmente no Brasil, que direita e esquerda não existe.
E quando olham para o amanhã, para a frente, para o futuro – já nem veem a natureza da ordem que o progresso exige. Ficam obviamente excluídos dessa cegueira nova os que naturalmente já não viam pelas doenças antigas (não há muita diferença entre um camponês medieval e as contemporâneas classes D e E): os cegos antigos (que sofrem o presente) culpam os malefícios do progresso, e vivem a reviver no presente o passado; a maior parte das pessoas que veem, como já se disse, não vive mais no presente: escolheu pensar no futuro. E isso é que é assustador. Porque, se se pensar bem, passado e futuro, na realidade, não existem; são só abstrações.
2.5.09
16.4.09
Igreja
E aqui no Brasil sabe-se que a expulsão de Leonardo Boff da Igreja tem um agente: o atual papa. Sua Igreja continua a mesma Igreja. E sobrevivem em nosso XXI os mesmos preconceitos, fantasmas, obscurantismos, misticismos e autoritarismos contra os quais se rebelaram os iluministas no XVIII. Deveríamos reviver Voltaire para vê-lo de novo dizer, Não concordo com nada... Ou não. Talvez nem precise. Porque essa coisa toda, de ouvir o outro lado, já criou raízes tão profundas em nosso modo de pensar, que mesmo entre os crentes há com certeza uma parcela que desobedecerá o interdito.
15.4.09
Estado
11.4.09
Adriano
Pululam as explicações fáceis, as respostas automáticas: é dor de corno, depressão, muita droga, birita, falta de estrutura, burrice pura e simples. Seja qual for a explicação mais convincente, Adriano criou um fato.
Tomou uma atitude inesperada num mundo de reações tão programadas e previsíveis. Foi na contramão da corrente hegemônica, desafinou o coro dos contentes. Seu gesto inquieta e perturba porque, na sua aparente irracionalidade, nos faz questionar a lógica absurda que comanda nossas vidas.
O leitor que acompanha ou suporta esta coluna sabe o quanto valorizo o lance que destoa: a furada, o frango, o erro. Deslizes que iluminam, que sobressaltam, que acordam. João Cabral de Melo Neto dizia que, em sua poesia, evitava "embalar" o leitor numa música que o fizesse deslizar como quem roda por uma estrada bem asfaltada. Preferia construir um caminho de pedras que, com seus solavancos, levasse o leitor a despertar.
Mal comparando, uma atitude como a de Adriano equivale a uma canelada, um tropeção, uma pedra com que se topa no meio do caminho. Quem quiser que se defenda do susto respondendo com as frases feitas citadas lá em cima. E quem tiver coragem que encare o Adriano que traz dentro de si.
3.4.09
O dilema das casas blindadas no Rio de Janeiro
Juan Arias deve estar brincando. Achando que o dilema se reduz a isso, ou não conhece o Brasil ou não conhece o mundo.
31.3.09
Rachas
– Mas você ainda está no PT?
Isso foi mais ou menos na época em que o partido expulsou algumas pessoas, e alguns novos partidos foram criados. Ele respondeu que estava. E que não sairia. E não saiu. Sair para quê? Fundar um novo partido?
Pensando bem, hoje eu não faria a mesma pergunta. E tomei convicção disso depois de ver um cartaz de um certo movimento chamado "A plenos pulmões". A primeira vista parecia um movimento político em prol do esporte ou do bem-estar físico, etc. Mas não. É um movimento genuinamente político, ou seja, em prol de causas sociais. Depois descobri o que o originou. O caminho, segundo me disseram, é mais ou menos o seguinte:

Não sei ao certo o que ocasionou todo esse tortuoso caminho. O certo é que: 1) os trotskistas têm acumulado uma vasta experiência em parar e voltar à estaca zero; 2) quem é petista deve estar ainda no PT. Puto da vida, mas ainda lá. Ainda atuando. Ainda a caminho. O que nos faz pensar a quem faz bem aqueles rachas todos.
O que nos leva à pergunta inevitável: havendo um novo racha, conseguirá o organismo sobreviver com apenas um pulmão?
4.3.09
Eaosa
"um representante do governo estadual foi notificar uma empresa de ônibus da região por causa dos maus serviços e ameaçou com a cassação da permissão; assim, o dono da empresa pegou um revólver na sua mesa e disse para o fiscal, mostrando a arma: Quero ver quem vai tirar as minhas linhas!"
Para ouvir, de um outro usuário, a pertinente indagação:
"Não foi por uma destas que o Celso Daniel saiu da prefeitura para virar nome de estação de trem?"
O fato é que não só as lendas tem muito de base real, como também a morte de Celso Daniel ficou envolta em mistérios demais. E não é mistério o coronelismo na região do ABC. Mal de origem, na região que até meados do século XX abrigava vastas fazendas, não se pode estranhar que atualmente haja ainda tantos coronéis.
Eles modernizaram-se, instruíram-se, enveredaram por outros ramos, outros empreendimentos, outros negócios, que seguem administrando à moda de fazendas. O serviço de ônibus é um destes latifúndios modernos. Ontem, terça, aqui, Adamo Bazani publicou esta foto:
E apresentou a ficha do primeiro homem, o de gravata, que para estar completa deveria vir assim: dono de 3 mil ônibus, participação em 20 viações, já investigado pela PF por evasão de divisas e sonegação fiscal, presidente da AETC/ABC (Associação das Empresas de Transporte Coletivo do Grande ABC) – Baltazar José de Souza tem 62 anos. Aqui no ABC, é proprietário das viações Eaosa, São Camilo, Ribeirão Pires, Barão de Mauá, Januária e mais o que não se sabe. Segundo reportagem da Folha (só achei aqui), em 2005 a Viação São Camilo acumulava R$ 52 milhões em dívidas no INSS, enquanto suas irmãs, Ribeirão Pires e Barão de Mauá, R$ 17 e R$ 11 milhões respectivamente. De origem humilde, o ex-cobrador possui hoje um império que se espraia por vários estados, incluindo o longínquo Amazonas.A foto acima é mais recente, e nela Baltazar está ao meio, entre os dois homens, segundo este lugar aqui. Nela não se vê mais a origem humilde nem a pobreza. Mas nos ônibus de suas empresas a história é outra. De uma forma geral, os ônibus do ABC são um lixo.
Um entrevistado de Adamo Bazani, aqui, afirma que contribuiu muito para a decadência dos serviços de transporte duas coisas: os frustrados planos econômicos da era Sarney-Collor e a guerra fiscal dos anos 90. A inflação, a fuga das grandes fábricas para outros estados e o consequente desemprego atingiram em cheio as empresas. Os galpões abandonados da região afetaram duramente as linhas de ônibus que transportavam seus empregados. A consequência disso é que:
"começou a se fabricar ônibus no Brasil, pensando em manutenção mais barata e muitas vezes o conforto era minimizado. Os bancos estofados davam lugar aos duros de fibra. Os motores traseiros, mais silenciosos, voltavam a dar a vez para os dianteiros, mais baratos. A manutenção era reduzida. Tinha empresário que esperava o ônibus quebrar, pois valia mais a pena."
A correção é que tem empresário que continuou fazendo isso até hoje. Em 2008, uma reportagem do Diário do Grande ABC acompanhou um usuário em seu trajeto trabalho-casa e:
"Constatou atrasos, superlotação, falta de conforto, carona para passageiros de outros ônibus da empresa que quebraram no caminho e muitas goteiras no veículo."
A EMTU avaliou 51 empresas da região e criou um ranking, baseado em quatro aspectos: qualidade, frota, situação econômica e opinião dos usuários. O resultado é que em 2004 a Eaosa foi considerada a pior viação de transporte intermunicipal. Como manda o manual, o repórter Gabriel Batista foi ouvir o outro lado. E ouviu que: " 'Uma empresa tem de ser a última do ranking. Dessa vez foi a Eaosa', justifica Baltazar Souza. Ele também é proprietário da viação Imigrantes, a penúltima colocada." É o fim da picada.
Ainda neste mesmo fórum (parece coisa de busólogo), lipe andreense diz que, aqui no ABC, a qualidade dos ônibus é tão ruim que poucas são as empresas com ônibus realmente novos:
"A Viação São Camilo também tem alguns poucos ônibus "novos" (que vieram usados de Manaus, mas são mais novos que as carroças que estavam antes)."
Estes ônibus mudaram de lugar, mas não de dono. Baltazar era dono das extintas empresas Cidade Manaus, Soltur, Viman e Urbana, que operavam no norte do Brasil, segundo informa Jerry Araújo.
O homem que tem tantas empresas tem uma história no mínimo curiosa. Conforme as lendas, era cobrador, passou a motorista e, assim que pôde, adquiriu o primeiro ônibus, a primeira empresa e, daí, forjou um império, sabe-se lá deus como. Em seus ônibus, não é raro ver funcionários portadores de deficiência, mormente cobradores. É que, explicam, ele tem um filho deficiente. Em volta dos ônibus, das catracas, das garagens, também não é raro ver indivíduos mal-encarados, exibindo revólveres na cintura, tatuagens de cadeia e participação no PCC. Isso pouca gente explica. Mas não precisa pensar muito pra concluir que se trata dos novos jagunços, que fazem a guarda do sinhô.
26.2.09
24.2.09
Adaptações

Ah, dá um tempo, Alan Moore. Do jeito que a coisa vai, essa birra toda fica parecendo ciuminho. Como é que pode afirmar com toda essa certeza que Watchmen não pode ser adaptado pro cinema? Só porque tem coisas que não podem ter vida fora dos quadrinhos? É claro que tem coisas que não saem mesmo dos quadrinhos. Essas ficam de fora, paciência. Em seu lugar, entram coisas que jamais apareceriam no HQ; que só podem existir na tela. Resolvido. Quer dizer, estaria resolvido, se não houvesse esse puritanismo surreal, que quer ver dois Watchmens iguais em suportes diferentes. Sem contar que esse negócio de nem querer assistir o filme mostra uma inflexibilidade típica das ações guiadas pela emoção, o que reforça a tese do ciuminho. A-ham!
Nem viram de verdade, e já foram desancando o filme. Provavelmente os fãs, cegos, indo na onda do criador. Tomara que, quando virem mesmo, todo mundo goste. Pra que a gente não fique dando ouvido a críticas, nem da crítica nem do autor. À primeira vista, pô, parece ser um trabalho legal... e só com isso, eu já ficaria feliz: com um trabalho legal. Imagina agora, sabendo que virá em separado toda aquela parte do universo expandido também?! Yaaaaaaa-hoo-hoo-hoo-hooey!!!
Principalmente pelos Contos do Cargueiro Negro, que, um dia, achei existirem de verdade, fora de Watchmen. Agora, existirão. Navegando noutros mares.

