15.12.07

Um soneto de Vicente de Carvalho

Velho Tema

Só a leve esperança em toda a vida
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.


Gosto desse tipo de poesia velha. Talvez eu seja burro demais pra entender a arte moderna ou a física quântica, mas não sei de onde veio essa idéia de que os parnasianos sejam menores. Deve ter algo a ver com o stablishment. E com a gente otimista que quer ser feliz. Mas, gostem ou não dos pessimistas, a turminha do Olavo Bilac disse muitas verdades.

Uma coisa, por exemplo, é essa busca infindável pelas coisas inacessíveis. E, pior, por caminhos clandestinos. Não tenho nada contra a clandestinidade, até acho bem poética a atmosfera escura e suja dos porões secretos, mas... a clandestinidade tem de ter um propósito concreto. Não o idealismo cego. No entanto, os riscos a que nos submetemos todo dia tentando conquistar sei-lá-o-quê são tão grandes, que nem os vemos, e mal vemos aonde e onde vamos, inda mais quando o que se põe em jogo é a integridade física ou psíquica. Não vou nem falar em moral.

2 comments:

Endora said...

te liguei, bêbada, no sábado.
e deixei um recado na sua caixa postal. hahahahahahahahahaha!!!

Fábio Babette said...

Dependendo da poesia velha, eu também gosto. Os parnasianos são bonitinhos, sim. Tudo, quando preza pela simplicidade da mensagem, é rico e incomparável. Bem melhor que caixas idiotas, com quebra-cabeças malucos, que são lançadas por aí...

A propósito, bani as palavras dos meus "comments".

;)