19.2.08

Sobre as restrições ao tabaco

Cá na província brasileira, desde fins da década de 80 uma série de medidas restringindo o consumo de cigarro foram adotadas. E como a maioria das leis, não funcionam. Já se obrigou a escrever advertências no maço, já se proibiu propaganda em rádio e tv, já se vetaram os patrocínios a eventos esportivos, já se chocaram pessoas com ilustrações sobre os danos do fumo e, agora, desde a semana passada, São Paulo já tem lei municipal (até justa) contra o fumo em locais que não tenham área reservada para tal prática perniciosa (detalhe: a lei é de junho de 1990). E ainda estuda-se encarecer o produto com impostos. As autoridades paulistanas, porém, não foram tão radicais quanto as francesas, que em 2007 proibiram o fumo em bares, restaurantes, cassinos, discotecas e o diaba-quatro de maneira ampla, geral e irrestrita.

Estas leis podem até ser justas, podem até reduzir o consumo, mas nunca vão eliminá-lo, simplesmente porque os fumantes não são todos iguais. Existem quatro tipos de fumante: os radicais, os moderados, os culpados e os convictos. Os mais perigosos e inconvenientes são os primeiros, que não têm bom-senso, compram marcas falsificadas e fumam quatro maços por dia. Cigarro mais caro talvez vá duplicar esse grupo que fuma os paraguaios. Os moderados, caracterizados pela drogadicção de fim de semana, são os mais sem-vergonhas, porém os menos inconvenientes: estes não devem ligar pra cigarro caro. Os culpados são os mais chatos: ficam a se lamentar do vício a toda hora, e irritam até os próprios parceiros, a quem tentam transferir parte de suas neuroses. Saindo a nova lei, têm uma boa razão pra parar, e isso vai ser bom pra todos, todos mesmo. Os convictos são uns poucos que ainda resistem, ainda rebeldes, mas já cansados, já com dúvidas, já sozinhos, ante a marginalização contínua a que vêm sendo submetidos. Não sei como o cigarro caro afetará esse último grupo, mas, para um bom fumante, creio que o ideal seja uma mescla de convicção e moderação. Às vezes, me dizem, “Nossa, mas v. fuma tão pouco, por que não pára?”, ao que respondo orgulhoso, “Mas não fumo pouco com intenção de parar. Fumo pouco para fumar a vida toda.” Afinal, a humanidade usa droga há séculos e no curto espaço de tempo em que vivemos alguém tem de manter acesa a brasa da rebeldia e da tradição. Ainda que fumar cause infarto e morte, olhar a questão pela perspectiva histórica vai nos mostrar que isto é um nada.

O grande problema é outro: ir pro céu e não ter área pra fumante lá, isto sim é que será o inferno.

5 comments:

Leco Vilela said...

Cara eu acho certo a lei francesa, fumar em lugar fechado não é legal e acaba se tornando um desrespeito a quem não fuma. Balada, bar, pub, locais fechados, não importa você sempre sai fedendo a cigarro. Consumir em areas com ventilação e ar livre é o ideal, por que afinal o vicio não é "meu".

Sobre teu comentário no meu blog:

Cara provavlemente os erros de português são consideraveis, mas vale a pena baixar as outras edições o enredo vai se desenvolvendo de uma maneira bem bacana, e sobre a revisão entra na comu, comenta no blog e de sua opinião afinal é necessário para melhorar a revista! ;)

abraços.

Alex Castro said...

simplesmente perfeito, lindo, adorei!

Leco Vilela said...

Sim, faz isso mesmo! ;)

!! said...

Quem fuma até dez cigarros por dia eh considerado moderado. Quem fuma de 10 a 20 eh um fumante convicto, qm fuma mais de 20 cigarros eh um radical...

certo??

r. silva said...

hoje, penso que a moderação e o radicalismo são coisas muito relativas. Veja o caso de Dorival Caymmi (é assim que escreve?): a família toda fuma que nem saci, passam a vida inteira fumando, e morrem aos 96 anos. E parece que estudos apontam haver um componente genético que inibe a ação maléfica do fumo no organismo. Só isso explica o meu avô ter também 78, tendo fumado a vida toda.