7.4.08

A escola como instrumento de inibição do pensar

É um fato freqüentemente observado e comentado em relação a crianças pequenas, quando estas iniciam sua educação formal no jardim de infância, que elas são ativas, curiosas, imaginativas e inquisitivas. Durante um certo tempo elas preservam estas características maravilhosas. Mas gradualmente, então, ocorre um declínio destes fatores e tornam-se passivas. Para muitas crianças, o aspecto social da escola é seu único atrativo. O aspecto educacional é uma provação pavorosa.

(Matthew Lipman. O pensar na educação. Petrópolis, Vozes, 1995, p. 22, apud: Evandro Ghedin. Ensino de Filosofia no Ensino Médio. São Paulo, Cortez, 2008, p. 68)

Ainda que pensemos que este declínio é próprio da adolescência, fase caracterizada pelo não-pensamento, não-imaginação e desinteligência, ainda assim... não dá pra não sentir vergonha da escola. E pena das crianças que passarão por ela.

7 comments:

carol said...

pois é, pra mim a escola não era interessante pelo aspecto social e isso nem era uma questão até eu começar a passar por louca por isso. acontece.

agora fiquei curiosa pra saber o que você faz da vida (digo isso porque acabei de chegar de uma aula de licenciatura e esse post ornou total).

carol said...

quarto ano de ciências sociais, muito (des)prazer.

Endora said...

vc PRECISA ler edgard morin. só isso que eu te falo. =]

Fábio Babette said...

apesar de não discordar, ainda me surpreendo com a menção à desinteligência quando são definidas as características da adolescência...

e a escola é um porre.

Leco Vilela said...

eu só não concordo com:

"Ainda que pensemos que este declínio é próprio da adolescência, fase caracterizada pelo não-pensamento, não-imaginação e desinteligência"

Acho que muito pelo contrário a adolescência tem sim seu lado de imaginação, questionamento e criatividade de uma forma diferente fato e limitada sim, mas não é uma completa ausencia. A maneira com que você colocou me levou a esse entendimento da sua opinião.

r. silva said...

tá certo, generalizei. mas continou com a opinião: se ser humano é situar-se sobre razão e emoção, a adolescência está mais para a última, enquanto na fase adulta nos concentramos na primeira. talvez somente na infância haja equilíbrio.

É insustentável! said...

Quando fazemos licenciatura, estudamos os educadores e filósofos que se preocuparam em estudar o processo de formação mental da humanidade, inseridos ao contexto social; portanto, o que é adequado para cada idade e como podemos fazer isso em sentido conciliativo: o ensino como forma de desenvolver as capacidades humanas e não como forma de moldá-las a esse ou aquele caminho.
Concordo com a essência do texto, pois fico aqui tentando imaginar como poderia ser a sociedade humana se nos desenvolvêssemos propriamente, aproveitando das capacidades e usando a educação como veículo facilitador de nossa natureza criativa.
Adolescência é simplesmente a hora do BASTA para o porre que é a escola, pois é ineficiente.
A adolescência diz ao ser humano que ele tem opinião e pode dizer não, e ele prefere dizer NÃO porque é um porre.

Só que quando é bom, é tão bom...
Ah! como é bom sair da classe depois de uma boa aula e sentir sua cabeça expandindo, e não presa numa caixa de regras que me diz que o céu sempre tem que ser AZUL.
Por que não roxo? E se eu quero roxo pq essa é a minha vez de concretizar o meu pensamento, e não a realidade que todo ser humano provido de boa visão pode enxergar?
Por isso gosto do texto e dos comentários, eles me fizeram pensar tudo isso.